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Sobrinho de Zico vira elo entre geração de 81 e time de Jesus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 1981, Eduardo Antunes Coimbra tinha sete anos e assistia, pela televisão, seu tio famoso comandar o Flamengo que conquistou o mundo ao aplicar um 3 a 0 sobre o Liverpool (ING), no Japão.

Passados 38 anos, o mesmo Eduardo, 45, agora é um dos integrantes da comissão técnica de Jorge Jesus, que, após triunfar sobre o River Plate (ARG) na final da Libertadores e assegurar o título do Campeonato Brasileiro por antecipação, tem a chance de colocar o time da Gávea como a melhor equipe do planeta caso conquiste o Mundial de clubes.

Filho de Edu, um dos maiores jogadores da história do América-RJ, e sobrinho de Zico, Dudu Coimbra se orgulha ao chancelar o seu sobrenome em mais uma época áurea no clube.

"Nada melhor do que você trabalhar num lugar onde a sua família fez história. Não é só meu tio. Meu pai também jogou no Flamengo. Os dois tiveram uma bela trajetória no mundo do futebol. E poder estar aqui, no Flamengo, e fazer parte deste trabalho dá um orgulho muito grande", diz Eduardo, à reportagem.

A relação com o futebol não fica apenas em Zico e Edu. O tio Antunes (que morreu em 1997) foi centroavante do América e do Fluminense. Já o tio Nando defendeu o Madureira, o Ceará e esteve no futebol português.

Atrelado ao DNA famoso, Dudu sabe que a responsabilidade de mostrar competência e produtividade num local de trabalho onde seus familiares tiveram êxito é muito grande.

"Após o título da Libertadores, lá em Lima, brinquei que tinha de ter um Antunes Coimbra aqui novamente para o Flamengo ser campeão. Mas claro que isso é uma brincadeira sadia, pois tudo aqui é sério, e você tem que trabalhar muito para fazer a coisa andar", afirma.

Um dos cinco analistas de desempenho da atual comissão técnica de Jorge Jesus, Dudu, como é chamado, cuida mais da parte de estatística. "Fazemos a análise dos números que são coletados num software. O resumo disso é passado para o treinador e também vai para a parte institucional do clube."

Antes da chegada de Jorge Jesus, o estafe de desempenho contava com três profissionais. O treinador trouxe de Portugal mais dois integrantes para a Gávea. Nas conversas entre os colegas de departamento, Dudu passa um pouco do que viu do Flamengo dos anos 80.

"Eu, como sou o mais velho, converso mais sobre isso. Existe uma troca para saber como era o futebol antigo, sobre aquele time do Flamengo [do início dos anos 80]. Trocamos informações com os portugueses, tudo num clima muito bom." 

Na Gávea desde 2016, Dudu bem que tentou ser jogador de futebol quando era mais novo. Mas o sonho de fazer carreira no esporte que consagrou o pai e os tios minguou devido às inevitáveis comparações.

"Imagina ter um pai, um tio que foram jogadores. Eu sou parecido com o meu pai, que foi um habilidoso ponta de lança, mas igual não tem jeito. A mesma coisa é meu tio. A gente não consegue ser igual a eles. Meus primos [filhos de Zico] também passaram por isso", comentou Dudu.

O caminho que o levou para a área de comissão técnica teve os primeiros capítulos no CFZ, clube fundado por seu tio Zico. Ali, começou como auxiliar-técnico, foi treinador em todas as categorias de base e chegou ao profissional. Ele também trabalhou no América-RJ antes de chegar no Flamengo.

No entanto, a fim de alçar voos maiores, o sobrinho de Zico teve que buscar nos estudos um diferencial para entrar no mercado.

"Fiz cursos e me atualizei. Sou formado, pós-graduado e tenho curso de treinador há 11 anos. Hoje se trabalha muito com estatística, matemática. É tudo muito diferente do futebol que conheci nos anos 80. Época, inclusive, [em] que meu tio brilhava no Flamengo", comentou.

Focado no trabalho quando está na Gávea, Dudu também tem Flamengo no seu repertório quando está junto com a família.

"Rapaz, a gente respira futebol em casa. No último jogo contra o Grêmio [vitória de 1 a 0 fora de casa], não viajei, almocei com a família, e vimos o jogo juntos. Tio Zico estava aqui inclusive, e a conversa foi só Flamengo."

E, numa família tão ligada ao clube da Gávea, muitos foram os conselhos e observações do ídolo rubro-negro sobre a equipe de Jorge Jesus.

"Varia muito. Fala da atuação de algum jogador, posicionamento de algum atleta. Meu pai me dá muito conselho, mas, na parte da estatística, não tem muito como ajudar, né. Mas nunca aconteceu de eu falar alguma coisa com o Mister porque meu tio mandou." 

Ligado à parte estatística da comissão, Eduardo Coimbra tem pouco acesso aos treinos e aos trabalhos de Jorge Jesus. Isso, porém, não o impede de analisar o que a equipe tem apresentado com o técnico português.

"O que a gente percebe é que a intensidade que o Flamengo apresenta nas partidas é a mesma que os jogadores mostram nos treinos. A cobrança é sempre muito grande."

Nesta reta final de temporada, com jogos decisivos tanto pelo Brasileiro como nas fases eliminatórias da Libertadores, Dudu e todo o departamento de análise de desempenho trabalharam bastante. Com isso, a família acabou ficando um pouco de lado.

"Com meu pai eu sempre consigo conversar, mas com o tio Zico fica mais difícil, até porque ele está no Japão, e o horário lá é virado. Mas sempre que posso, eu dou um jeito. Em Lima, depois que fomos campeões, mandei um WhatsApp com a foto da festa no campo para toda a família. Vantagens da tecnologia, né", completa. 

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