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NY convoca exército de voluntários para lidar com riscos mentais da pandemia

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NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Em entrevistas coletivas diárias, marcadas por gráficos simples, alertas, estatísticas e conselhos práticos à população, o governador do estado de Nova York, o democrata Andrew Cuomo, emergiu como um líder de projeção nacional no combate ao coronavírus.

Nos últimos dias, mencionou dados iniciais de internação por Covid-19 que apontam para a eficácia do distanciamento social, antecipou para o meio de abril a estimativa para o pico de casos de contaminação em Nova York e cobrou do governo federal o envio de aparelhos de respiração para os hospitais do estado.

Nesta quarta-feira (25), anunciou que 6.000 profissionais de saúde mental responderam ao seu apelo e vão atender, de graça e via internet, nova-iorquinos durante o período da quarentena voluntária.

A preocupação se reflete em números: levantamento do site Axios com o instituto de pesquisa Ipsos revela que 9 entre 10 adultos americanos estão preocupados com o coronavírus, e metade teme perder seus empregos e não conseguir pagar as contas.

Cuomo lembrou que a pandemia é mais do que um desafio para a saúde pública, mas um desafio para a saúde mental, não só de pacientes e de dependentes químicos, como de médicos, enfermeiros e outros funcionários de serviços públicos essenciais.

No caso de dependentes de álcool, a suspensão de encontros de grupos como o Alcoólatras Anônimos oferece um problema particular, uma vez que a presença física é parte essencial da recuperação.

George Koob, diretor do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, parte do sistema federal de agências de saúde, explica que a "interação social nos encontros constrói a expectativa de recompensa".

Com a migração em massa dos encontros para reuniões virtuais, o neurocientista afirma acreditar que uma forma de compensar o isolamento é aumentar o número de sessões de aconselhamento e procurar os dependentes regularmente, recomendando exercícios físicos e o uso de aplicativos de meditação.

Só o Alcoólatras Anônimos estima ter mais de 2 milhões de membros em 188 países.

Já a Veterans Affairs, agência que cuida da saúde de mais de 20 milhões de veteranos nos EUA, registrou neste mês aumento de 12% nas ligações para a linha de crise, dirigida à prevenção de suicídios.

É cedo, porém, para prever o impacto do isolamento entre pacientes de alto risco, diz o psiquiatra Eric Caine, codiretor do Centro de Estudo e Prevenção ao suicídio, da Universidade de Rochester.

"Estamos em um novo território", afirma ele, "com pouca orientação para nos guiar". Caine aponta a epidemia de Sars, no começo da década passada, como a comparação mais aproximada a situação atual, pois naquele momento houve um aumento expressivo de suicídios entre idosos isolados.

Para Caine, a lição do Sars fez com que o governo de Hong Kong se tornasse mais pró-ativo, oferecendo recursos de assistência digital à população idosa da ilha já no começo da pandemia de coronavírus.

O psiquiatra chama a atenção para a necessidade de períodos de descanso a quem dá assistência de saúde mental, já que emergências de massa, como um terremoto, são diferentes de uma pandemia com efeito prolongado. "A emergência é corrida de curta distância, a pandemia é a maratona."

Já a psiquiatra forense Bandy Lee, da Universidade de Yale, acrescenta mais um aspecto às dificuldades de controlar a ansiedade durante uma crise grave como a da Covid-19.

Em 2017, ela acendeu uma polêmica no mundo médico ao editar o livro "The Dangerous Case of Donald Trump" (o perigoso caso de Donald Trump, em português), no qual reuniu 27 psiquiatras e especialistas em saúde mental para avaliar o presidente americano com base em seu comportamento em público.

Lee afirma que Trump exibe sinais de desordens mentais, embora deixe claro que não está fazendo um diagnóstico, algo que requer um exame.

Para ela, o presidente agrava o risco à população durante a pandemia porque se isola perigosamente da realidade e a substitui por sua realidade alternativa.

Cita como exemplo o fato de que Trump demorou mais de um mês para aceitar o alerta de assessores sobre o perigo da pandemia, atrasando gravemente o começo da mobilização federal.

"Trump manteve baixíssimo o número de testes de coronavírus", diz ela, "para os números de contaminação se manterem baixos". "Quem não tolera a realidade é especialmente perigoso numa pandemia, algo que requer tanto esforço coordenado de prevenção."

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