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Integrantes de organização criminosa

PM e advogada viram réus por tentar obstruir investigação do caso Marielle

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SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A Justiça do Rio aceitou denúncia formulada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) contra o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira e a advogada Camila Lima Nogueira por supostamente integrarem uma organização criminosa cujo objetivo era o de atrapalhar as investigações da Polícia Civil sobre o atentado que resultou nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Com esta decisão, os dois acusados se tornam réus e, se condenados, podem pegar de três a oito anos de prisão, além de multa. 

O juiz autorizou ainda pelo menos dois mandados de busca e apreensão, sendo que um deles foi cumprido por policiais civis hoje na casa da advogada, em um bairro da zona sul do Rio de Janeiro.

A denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro) foi baseada em investigação conduzida pela Polícia Federal, que concluiu que houve obstrução à investigação do Caso Marielle. 

Em nota, o MP-RJ confirmou "ter denunciado os envolvidos na obstrução às investigações do Caso Marielle", mas não divulgou o teor da medida porque o processo corre em segredo de Justiça. 

"Estou sendo humilhada, tratada como bandida. É de chocar quem tem o mínimo de conhecimento jurídico", afirmou Camila Nogueira ao UOL. Ela nega a acusação e diz não ser mais defensora do PM Ferreira. "Acredito na verdade e ela sobre minha vida prevalecerá."

A reportagem ainda não conseguiu encontrar os atuais advogados de Rodrigo Jorge Ferreira.

'Testemunha-chave' admitiu ter mentido Pouco mais de um mês após o assassinato de Marielle e Anderson, ocorrido em 14 de março de 2018, três delegados federais apresentaram como "testemunha-chave" à DH (Delegacia de Homicídios da Capital, órgão da Polícia Civil do Rio) o PM Rodrigo Jorge Ferreira. 

A testemunha trabalhou como motorista do ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, apontado como chefe de uma milícia que atua na zona oeste do Rio. 

Em seu depoimento, "Ferrerinha", como é apelidado o policial, apontou o vereador Marcelo Sicilliano (PHS) e Curicica como mandantes do assassinato da vereadora filiada ao PSOL. Ele afirmou ter testemunhado reuniões em que ambos planejaram o atentado.

Marielle Franco estaria atrapalhando negócios ilegais de Sicilliano. Após a divulgação do depoimento do PM, Curicica e Siciliano negaram a autoria do crime. Posteriormente, Rodrigo Jorge Ferreira admitiu à PF que mentiu ao incriminar Curicica e Sicilliano.

Curicica, que estava preso no Rio, foi transferido para o presídio federal de Mossoró (RN). Lá, ele prestou depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) no qual afirmou que a Polícia Civil do Rio tentou lhe convencer a assumir a morte de Marielle e revelou um suposto esquema de corrupção na DH que barraria investigações sobre homicídios ligados ao jogo do bicho e às milícias.

O depoimento de Curicica foi a "peça-chave" para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinasse que a entrada da PF no caso.

Ferreirinha, a advogada e pelo menos outras cinco pessoas foram investigadas - entre elas o ex-deputado Domingos Brazão, adversário eleitoral de Sicilliano. Ele nega qualquer envolvimento no caso. 

Nesta sexta-feira, o UOL publicou reportagem mostrando escutas que ligam o clã Brazão à milícia Escritório do Crime.  

A investigação sobre as mortes de Marielle e Anderson continua na DH. O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz foram presos em março sob acusação de terem executado o atentado. Ambos negam a acusação. 

Até o momento, nem a investigação do MP-RJ nem a da Polícia Civil apontaram os mandantes do duplo assassinato.

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