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Não ao lockdown em Manaus

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Já não se trata mais de isolamento seletivo, ou isolamento social distanciado. Agora há um pedido do MP de restrição da liberdade de ir e vir - um direito fundamental  - em nome do direito à saúde e à  vida.  Mas o confinamento proposto pelo Ministério Público  não garante nem uma coisa nem outra. Por ser radical, expõe uma parcela considerável da população a fome, com grande  chance  de a violência aumentar na periferia, levando a uma previsível desordem social.

A questão é simples: não há policiais suficientes para conter 2,3 milhões de pessoas que vivem em Manaus confinadas em casa. É previsível  a ocorrência de  conflitos.  O ambiente político atual é corrosivo e um problema adicional que deve ser considerado.  Não faltará quem incite à desobediência.

O MP tem o melhor dos propósitos, mas deve entender que a chancela do Judiciário ao lockdown não vai conter a Covid -19.

Se os promotores que assinam o pedido sairem do seu conforto e entrarem nos becos da periferia vão entender que o confinamento vai provocar mais doença, mais violência. Em cada casa de um quarto, vivem de sete a oito pessoas. Nada comparado com os apartamentos da Ponta Negra ou as  casas do  Alphaville.

Uma ação do MP não pode abrir a caixa de pandora.  Mas é o que está para acontecer, caso o Judiciário chancele o pedido de lockdown na cidade.

 




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