Organizações criminosas ocupam território e são a maior ameaça à democracia
Facções criminosas espalharam o terror na última semana em Rio Preto da Eva e Itacoatiara, com tiroteio e execuções. Na Am -10, estrada que liga os dois municípios a Manaus, os motoristas se queixam de assaltos. A estrada também serve como rota do tráfico.
As autoridades reconhecem a existência desses grupos, o espaço que vêm ocupando e a capacidade de se infiltrarem no sistema legal…
A repressão, de tão repetitiva e sem consequências, parece o ensaio de uma peça com final previsível: o cidadão de bem, no meio do tiroteio, sempre morre. É uma luta onde não há herois, há vítima - a sociedade, o Estado, o País.
E não é um caso isolado. Em Manaus, a matança é contínua. No Rio, São Paulo, Recife, Belém, Boa Vista, também. Nos 24 estados essas organizações atuam abertamente, e à medida que crescem se tornam a mais perigosa ameaça à democracia.
Curiosamente, ninguém entende esse poder paralelo como risco à liberdade do cidadão e as instituições da República. E são, muito mais que os extremistas enlouquecidos que invadem e depredam palácios de homens de preto que têm um visão vesga da democracia. Essa democracia tão falada e que poucos compreendem seu verdadeiro significado.
Quanto mais demoram a compreender o risco que a sociedade corre, que o País corre, mais essas organizações se infiltram no sistema de poder legal, se apossam de territórios nos estados e avançam para governar ou manipular governos.
ASSUNTOS: Amazonas, CV, democracia, Manaus, Organizações Criminosas, PCC
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.