Pesquisa revela que isolamento social pode agravar castigos e palmadas em crianças
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Pesquisa revela que os pais acreditam que a melhor forma de educar as crianças ainda é colocando de castigo, com gritos ou palmadas. De acordo com a Agência Brasil, o estudo 'Primeira Infância para Adultos Saudáveis (Pipas)' ouviu mais de 7 mil cuidadores de crianças de até 5 anos de idade em Fortaleza e em mais 15 municípios cearenses, em outubro de 2019 e cerca de 73% acreditam que os castigos são necessários, 49%, as palmadas, e 25%, os gritos. O resultado da pesquisa preocupa os especialistas que acreditam que as medidas adotadas antes da pandemia podem agravar durante o isolamento.
Ainda de acordo com a publicação, o diretor de Conhecimento, aplicado na Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Eduardo Marino explicou sobre os castigos durante a pandemia. “Ninguém estava preparado para isso”, diz, acrescentando que os responsáveis “têm que trabalhar, cuidar das demandas de casa e mais das demandas educacionais. Não é pouca coisa. E é particularmente difícil para os mais pobres. A situação de confinamento é estressante quando colocamos a dimensão da desigualdade. Os adultos estão vivenciando muitas situações, desde situações extremas, como a perda de um ente querido para a covid-19, perda de emprego, a questões mais cotidianas, como o ficar em casa sem uma atividade e talvez em moradias que não têm as condições para permanência, como de higiene, água, esgoto e segurança alimentar”.
Uma lei no Brasil proíbe o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante. É a Lei 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, em homenagem ao garoto que foi morto pela madrasta com ajuda de uma amiga da mulher, em abril de 2014. O pai dele também foi condenado pelo crime.
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ASSUNTOS: Bernardo Boldrini, castigos, castigos durante pandemia, crianças castigos, lei bernardo boldrini, maus tratos às crianças, pandemia coronavírus, Brasil