A liberdade de imprensa não faz parte do cardápio de tiranetes
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Muito se tem falado atualmente, sobre “liberdade de imprensa”, e “liberdade de expressão”, e fico lembrando pelo que li, de Ruy Barbosa, que a época, servia como o grande luzeiro guia e para ele sempre eram voltadas as consultas quando algum direito estava colocado diante de perigo iminente.
De quantos ensinamentos foram bebidos nas páginas imortais do notável tribuno e jurista, nos prélios estudantis e nas lutas pelas liberdades cívicas sempre ressumavam conceitos a respeito da liberdade de imprensa, a "rainha das liberdades", segundo Thomaz Jefferson, os olhos da nação, por intermédio dos quais ela fica sabendo o que se passa em seu redor, devassa aquilo que lhe ocultam, expõe ao pelourinho do julgamento popular os corruptos e corruptores.
De todas as liberdades, não há nenhuma mais conspícua e mais necessária. Se tais conceitos e definições ganharam foros de verdades definitivas, não menos verdadeiro é que a liberdade de imprensa no mundo vem sofrendo a agressão de aprendizes de tiranos, a pressão dos endinheirados e a intolerância dos liberticidas.
Abatem-se sobre ela as mais variadas tentativas de garroteamento, desde a força bruta até os blandiciosos acenos da pecúnia com os quais governos fracos e incompetentes tentam embair a opinião pública. Se as pressões econômicas e financeiras são desfiguradoras do verdadeiro papel da imprensa livre, não menos verdade é que o engajamento político-ideológico da mídia constitui, nos dias de hoje, espécie de câncer capaz de fragilizá-la até a morte.
Nesses estamentos radicais concentra-se o grande perigo a ameaçá-la. Tanto à esquerda quanto à direita montam acampamento os verdadeiros inimigos da verdadeira liberdade de imprensa. Ambos se alimentam de preconceitos, nada mais nada menos de velhos ranços autoritários. Por paradoxal que possa parecer, outorgam-se a condição de defensores da liberdade para poder mais facilmente esmagá-la.
Não faz parte do cardápio de tiranetes. É o mesmo padrão de prosélitos de José Saramago, para quem "a democracia é uma santa coberta de chagas, cheira mal e, ainda por cima, é surda. E mente quantos dentes tem na boca". Quando verdadeiros democratas, entendidos aqueles por convicção e formação, não por ocasião ou oportunismo político, são atingidos por abusos no exercício da verdadeira liberdade de imprensa, sua reação é assinalada pela tolerância e a crença na superioridade da verdade.
Se desejarmos tomar como exemplo que mais terrivelmente sofreu as assacadilhas de jornais e jornalistas no abuso de sua liberdade, retiramos de sua vida o melhor modelo de paciência democrática. Juscelino Kubitschek, padeceu das mais iníquas e sórdidas campanhas contra sua honra e sua capacidade pessoal.
Respondeu sempre com arrasador silêncio e menosprezo aos acusadores, encontrando na consciência neutra da história o julgamento definitivo quanto à sua dignidade e ao seu discernimento de homem público. A democracia, que, no conceito de Saramago, "cheira mal", foi o remédio simples e nobre que restaurou a dignidade da liberdade que representa todas as outras.
ASSUNTOS: Espaço Crítico