Cidade de SP tem alta de homicídios em fevereiro; latrocínio cai na capital e no estado
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de São Paulo registrou alta no número de pessoas assassinadas em fevereiro, quando foram computadas 48 mortes. Trata-se da maior quantidade para o mês desde 2020, quando houve 61 notificações. Os números são da SSP (Secretaria da Segurança Pública) do estado.

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Já no acumulado dos dois primeiros meses do ano, foram 95 homicídios dolosos, quando há intenção de matar, ante 85 ocorrências registradas no mesmo período do ano anterior. Nesse quesito, trata-se do maior número desde 2022, quando 96 pessoas morreram.
Ainda segundo a secretaria, houve recuo no número de latrocínios na cidade de São Paulo. Na junção de janeiro e fevereiro, nove pessoas morreram. Em 2024, foram 13 casos.
Apesar dessa queda, a população tem assistido a episódios repetidos de roubo, que algumas vezes resultam em morte, caracterizando o crime de latrocínio.
Cenas de criminosos se aproximando em motocicletas e exigindo celular ou joias têm se repetido, como o caso do ciclista Victor Medrado, morto em fevereiro nas imediações do Parque do Povo, ou do agente da CET José Domingos da Silva, também vítima de arma de fogo em uma tentativa de assalto em 13 de março -ambos na capital.
Na mesma esteira houve queda nos boletins de roubo, de 20.390 para para 17.638. Conforme os números disponibilizados pela pasta, o furto -quando um objeto é tomado sem violência- teve alta de 3% na capital. Foram 40.058 notificações no bimestre contra 38.924 em 2024.
Apesar de uma alta no acumulado, os furtos registraram queda na comparação entre fevereiro deste ano (19.886 casos) com o mesmo mês de 2024 (20.201).
A alta de homicídios na capital ainda não permite uma leitura sobre a dinâmica dessas mortes, segundo o pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP (Universidade de São Paulo) Bruno Paes Manso.
"É um pouco cedo para falar de alguma coisa consistente, porque foi um pequeno crescimento", afirmou. "Claro que é sempre importante a gente ficar atento. Mas ainda é muito pouco para a gente ter alguma ideia clara sobre ser algo esporádico ou alguma tendência."
HOMICÍDIOS CAEM NO ESTADO
Em todo o estado, foram 205 vítimas de homicídios em fevereiro, uma redução de 6% na comparação com o mesmo mês de 2024, quando foram contados 224 óbitos. Já no acumulado dos dois primeiros meses, as delegacias da Polícia Civil registraram 425 óbitos neste ano, ante 452 vítimas em 2024.
Outros crimes que tiveram recuo no estado como um todo foram os latrocínios (passaram de 34 para 28) e roubos (de 34.049 para 30.180), também no acumulado.
Na contabilização dos casos de roubo em fevereiro, houve queda ao menor patamar da série histórica para o mês, que começa em 2001, com 14.208 ocorrências.
Já as notificações de furto e as de estupro subiram. Foram 93.008 queixas de furto no bimestre contra 91.534 no período anterior. Em relação aos registros de estupro, houve alta de 13,5% na junção dos dois meses, passando de 2.191 registros, em 2024, para 2.487 neste ano.
Somente em fevereiro deste ano o número de registros no estado chegou a 1.201, recorde para o mês na série histórica, que começa em 2001, e também maior índice desde 2018, quando o crime passou a ser investigado por ação pública incondicional, que independe da vontade da vítima.
Historicamente, denúncias de estupro e de outros crimes sexuais sofrem com subnotificação. Ou seja, o número real de vítimas pode ser maior.
Já na capital, foram 513 queixas de estupro nos dois primeiros meses deste ano, ante 459 no primeiro bimestre de 2024, uma alta de 11,8%. Procurado, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma que tem a maior rede de delegacias especializadas em violência de gênero do país, com 141 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) no estado, além de 162 salas DDMs em plantões policiais.
A gestão Tarcísio diz que os índices de homicídio atuais são reflexos de estratégias integradas de segurança e reforço em operações policiais. "Para garantir que todas as regiões sigam essa tendência de queda nos crimes contra a vida, as ações seguirão intensificadas e analisadas pelo programa SP Vida, permitindo ajustes estratégicos no policiamento e aprimoramento das operações de combate à criminalidade", disse, em nota, a SSP.

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