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Trump diz para Rússia se mexer; enviado conversa com Putin

Por Folha de São Paulo

11/04/2025 17h15 — em
Mundo


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No dia em que seu enviado especial para a Guerra da Ucrânia passou quatro horas e meia com Vladimir Putin, o presidente Donald Trump disse que a Rússia "tem de se mexer" para acabar com o conflito que iniciou ao invadir o vizinho em 2022.

Steve Witkoff, o negociador predileto de Trump, encontrou-se com o líder russo na biblioteca presidencial de São Petersburgo, cidade natal de Putin em que ele havia anunciado antes um projeto de modernização de sua Marinha.

Enquanto informações sobre o que foi debatido não transpareciam, sobrou simbolismo. A biblioteca sedia uma exposição sobre acordos diplomáticos da Rússia, e o gestual de Witkoff, agradecendo com a mão no peito quando foi recebido por Putin, sugeriu avanços nos termos do russo.

Pouco antes, contudo, Trump havia postado na rede Truth Social: "A Rússia precisa se mexer. Muita gente está morrendo, milhares por semana, numa guerra terrível e sem sentido". Foi mais um sinal de desconforto do americano com o ritmo das negociações para um cessar-fogo, que tiveram vários vaivéns, mas não chegaram a lugar algum.

Antes do encontro, Witkoff conversou com um dos negociadores principais de Putin, o chefe do fundo soberano russo, Kirill Dmitriev. Segundo a agência Reuters, eles debateram a hipótese de Trump reconhecer as quatro províncias anexadas ilegalmente pela Rússia depois da invasão de 2022, que o Kremlin não controla totalmente.

O americano saiu do encontro, que acabou por volta das 22h locais (16h em Brasília), direto para o aeroporto. Neste sábado, ele irá conduzir em Omã as primeiras negociações, pelo lado americano, com o Irã acerca do programa nuclear de Teerã. No X, Dmitriev disse apenas que "as conversas foram produtivas".

UCRÂNIA TEME NOVA OFENSIVA

Enquanto isso, nas linhas de frente, cresce o temor em Kiev de que Putin esteja preparando mesmo uma nova ofensiva de grande porte para o verão, conforme a Folha havia adiantado.

Segundo as Forças Armadas da Ucrânia disseram nesta sexta, há sinais de concentrações de tropas perto da região de Tchernihiv (norte), que chegou a ser parcialmente ocupada durante a tentativa de cerco a Kiev no começo da guerra, em 2022.

Além disso, já há uma ofensiva em curso nas regiões imediatamente a leste de lá, junto à fronteira: Sumi e Kharkiv. Ambas também foram invadidas em 2022, mas lá uma contraofensiva ucraniana expulsou os russos em setembro do mesmo ano. No ano passado, Kharkiv voltou a ser invadida e, agora, Sumi.

Os movimentos fazem parte do estabelecimento de novas realidades em solo, vistas pelo Kremlin como essenciais antes de qualquer negociação de paz: Putin quer manter tudo o que conquistou no vizinho, caso entre em conversas com Kiev.

ALIADOS PROMETEM AJUDA RECORDE A KIEV

Em uma reunião em Bruxelas, sob os auspícios da Otan, o grupo de mais de 40 países doadores de ajuda militar à Ucrânia, anunciaram um pacote adicional de € 21 bilhões (R$ 140 bilhões no câmbio atual) para o país, o maior até aqui.

Como em outras ocasiões, contudo, não fica claro em quanto tempo tal ajuda estará disponível e de que forma. Países, de forma individual, prometeram itens específicos, como tanques alemães.

Já o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, exortou pela enésima vez seus aliados a entregarem mais sistemas antiaéreos americanos Patriot, dez no caso, ao país, mas nisso não teve resposta. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, participou virtualmente do encontro.

ACORDO DE MINERAIS IRRITA UCRANIANOS

Por outro lado, o governo Trump voltou à carga para pedir a devolução do que diz serem US$ 350 bilhões dados em apoio a Kiev nos três anos da guerra, no escopo do novo acordo conjunto de exploração mineral do subsolo do país.

Segundo o jornal americano The New York Times, a nova versão do arranjo, apresentada a Kiev, não menciona nenhuma garantia futura de segurança e diz que os ucranianos devem colaborar com metade de um fundo de investimentos em reconstrução do país após o conflito.

Os termos irritaram os negociadores ucranianos. Zelenski já havia dito que não "venderia o país" e que considerava o valor empregado pelos aliados uma doação, não uma dívida. As contas de Trump parecem infladas, dado que análises independentes colocam em cerca de US$ 120 bilhões o apoio americano até aqui, 56% disso em armas —o maior entre todos os disponíveis.


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